Remo e PSC estão classificados à fase de grupos da Série C. Chegam a esta etapa respaldados por boas campanhas, que permitem acreditar que ambos têm chances reais de conseguir o acesso à Série B. A primeira parte da caminhada foi cumprida – resta uma rodada, que definirá posições nos grupos da próxima fase – e é inegável que os dois técnicos são os principais responsáveis pelo êxito parcial dos dois projetos.

Os azulinos, que ocupam a segunda posição no Grupo A, chegaram à classificação com algumas emoções de última hora. Depois de somar 26 pontos em 14 rodadas, o time sofreu uma súbita oscilação e perdeu em casa para o Santa Cruz na 15ª rodada. Recuperou-se, com sobras, na vitória sobre o Manaus no sábado à noite.

A conquista da vaga significou um alívio para diretoria e elenco. A classificação foi buscada com afinco desde que o Leão na praia em 2019, eliminado na rodada final de forma traumática, após uma vitória do Ypiranga sobre o Juventude, nos acréscimos da partida em Caxias-RS.

O rendimento maduro, confiante e intenso do time diante do Manaus restituiu também a confiança no trabalho, que começava a ficar abalada após o tropeço diante do time mesclado do Santa Cruz. A presença serena e equilibrada de Paulo Bonamigo, que está de volta ao clube 20 anos depois, foi fundamental para ajustar as coisas.

Substituto de Mazola Junior, o técnico que dirigiu o time nas sete primeiras rodadas, Bonamigo deu novo perfil ao time, praticamente com os mesmos jogadores. O Remo saiu de um formato encaixotado, que priorizava a marcação, para um jogo mais bem distribuído, com boa conexão entre os três setores.

Acima de tudo, Bonamigo transformou as duplas laterais no principal achado de sua gestão, com excelentes resultados para a parte ofensiva do time. Pela direita, Ricardo Luz-Hélio; na esquerda, Marlon-Wallace. Com a lesão sofrida por Wallace, o time sofreu com a perda de força pelo lado esquerdo, onde Marlon voltou a uma função mais individualizada.


A direita, porém, mostra qualidades sempre que Luz e Hélio estão juntos, como no sábado na Arena da Amazônia. O tom sempre calmo de Bonamigo parece ter contagiado o time, que andou pecando pela precipitação no início da competição.

A aceleração do processo de transição é outro item a ser destacado, principalmente quando Bonamigo mantém o tripé de meio-campo, com dois volantes e um meia. O ataque segue com três peças, com variações determinadas pelo condicionamento dos oito atacantes do elenco – Salatiel, Tcharlles, Ermel, Hélio, Wallace, Eron, João Diogo e Augusto.

É cabível esperar que o time experimente uma evolução na próxima fase, com maior interação entre meio e ataque, além de melhorar no aspecto da finalização de jogadas, problema que impediu vitórias consideradas certas. A plena recuperação de atletas que estão lesionados, como Eduardo Ramos e Wallace, vai enriquecer ainda mais a oferta de opções para o técnico.

Papão avança, com intensidade e disciplina

Quando chegou, para assumir o PSC após a demissão de Mateus Costa, João Brigatti despertava expectativa e dúvida. Saiu daqui em 2019 como injustiçado, pois havia conduzido o time com acerto no Parazão quando foi desligado. As brigas com a presidência do clube indicavam que não haveria possibilidade de uma reconciliação.

Pois a paz foi selada, a partir de um combo de interesses comuns. O PSC precisava com urgência dar ao time um comando eficiente e enérgico, após a experiência malsucedida com Mateus Costa, que substituiu a Hélio dos Anjos e fez com que o time mergulhasse numa fase de baixo astral técnico que quase terminou na zona de rebaixamento.

Brigatti estreou na 13ª rodada, empatando com o Manaus, no Mangueirão. Depois disso, enfileirou triunfos. Foram quatro em sequência: Jacuipense, Imperatriz, Ferroviário e Botafogo-PB. O que parecia praticamente impossível se tornou realidade, com a equipe mostrando qualidade e amadurecimento.

O resultado obtido diante do Jacuipense fora de casa, fundamental para dar ao time a confiança necessária para buscar 12 pontos em quatro jogos, foi arrancado das entranhas. O time jogou tudo que podia, com capacidade de entrega e mentalidade vitoriosa, lutando até o fim das partidas.

A partir dessa partida, o PSC incorporou o figurino Brigatti. Busca do resultado, disciplina tática e ambição ofensiva. Foram oito gols em quatro jogos, média de 2 por partida, sem levar nenhum.

Paulo Ricardo se estabeleceu como ponto de equilíbrio defensivo, sem ser vazado após a entrada de Brigatti. Dois novos jogadores passaram a integrar o elenco, com contribuição expressiva para o fortalecimento do ataque.

Marlon, recém-contratado, participou de três jogos, fez três gols e obrigou o torcedor a parar de lamentar a saída de Vinícius Leite – que foi defender o Avaí-SC na Série B. O que se temia é que a ausência de Vinícius afetasse ainda mais o rendimento de Nicolas, que vivia fase de baixa produção.

Com Marlon e Vítor Feijão, o outro estreante, o Papão reencontrou a movimentação pelos lados do campo. Diante do Ferroviário, ponto alto da era Brigatti, Marlon foi o astro da noite, marcando dois gols e participando ativamente do jogo. Feijão também deixou o dele.

Quando a organização funciona, as individualidades brilham. Esse princípio básico do jogo de equipe vale mais do que nunca para o PSC atual. Antes, o time dependia excessivamente de Nicolas e Vinícius Leite. Se ambos fossem bem marcados, o time sentia.

Hoje, Nicolas segue importante na equipe, atuando até numa faixa mais recuada, mas não é o único a merecer destaque. Marlon, Feijão, Mateus Anderson (que reapareceu bem contra o Botafogo) e o novato Jefinho são figuras de real importância no desenho ofensivo do time.

Tudo isso, inegavelmente, tem a ver com Brigatti, que comandou em curtíssimo espaço de tempo uma reformulação na maneira de jogar e mudou as perspectivas do PSC na competição.