Terminou no fim de semana o mandato de dois anos de Ricardo Gluck Paul à frente do PSC. Como sempre acontece em futebol, os resultados de campo determinam os humores fora dele. A coincidência com a não obtenção do acesso à Série B terminou por comprometer a percepção de boa parte da torcida acerca da gestão. Pontos altamente positivos, principalmente de ordem interna, acabam sendo subestimados.

Em entrevista na segunda-feira, 18, Ricardo fez um balanço de sua administração e alguns pontos foram tirados de contexto, levando à impressão de que ele se voltava contra a própria torcida. Quem conhece sabe que não é assim que o agora ex-presidente se sente em relação à massa alviceleste, muito pelo contrário.

O fato é que, caso o Papão tivesse vencido o Ypiranga, garantindo o retorno à Série B, certamente o julgamento seria outro sobre o trabalho desenvolvido por Ricardo num período de atribulações extrafutebol, como a ocorrência da pandemia do novo coronavírus, que pegou a todos de surpresa e alterou completamente os planos para 2020.

Ricardo observa que o PSC bateu na trave duas vezes nas tentativas de acesso, tanto em 2019 quanto agora. Mesmo sem o trauma da eliminação por erro absurdo de arbitragem na batalha dos Aflitos, diante do Náutico, na Série C passada, o time chegou à fase de grupos deste ano em condições de brigar pela classificação.

Não deu certo, e o gestor tem a humildade de reconhecer que faltou competência no futebol para concretizar os objetivos nesta temporada. É preciso ressaltar que Ricardo encarou, ao assumir, um pós-rebaixamento (da Série B 2018) com todos os percalços que a situação envolve.

Sonho antigo de torcedor apaixonado, Ricardo largou a vida profissional estabilizada para cuidar do clube, consciente de que teria poucos parceiros a contribuir efetivamente na missão. Sabia, também, da obrigatoriedade de acumular conquistas e títulos, uma imposição da cultura do futebol.


À sua maneira, lutou contra isso. Decidiu abraçar a ambiciosa e desgastante ideia de uma reforma administrativa, englobando os dois anos de mandato. Mesmo com dificuldades primárias, como os hábitos e práticas enraizados, levou a cabo o desafio, com a mira firmada no alicerce para um crescimento sustentável no futuro da instituição.

Ser campeão a qualquer custo não era uma prioridade. Ricardo tocou projetos ousados, mudou a dinâmica interna e assentou uma organização administrativa que incluiu o investimento de R$ 2 milhões em rescisões contratuais. A medida, se tornou o clube mais leve e eficiente (com redução de 256 para 60 funcionários), não rendeu aplausos retumbantes, pois é um trabalho invisível aos olhos da torcida.

O impulso de mercado da marca Lobo, com estabilidade financeira conquistada mesmo em meio à pandemia, é outro ponto destacado na gestão. Um exemplo óbvio é o lançamento da camisa que tributa o Time Negra, que já alcança 26 mil unidades comercializadas.

Apesar do projeto assumido de fazer uma administração menos personalista, o time conquistou o Campeonato Estadual de 2020, representando um alento importante para a torcida e um prêmio à austeridade gerencial.

Com a determinação de montar o centro de treinamento, houve a natural retração nos gastos com reforços. Com material disponível para a preparação do primeiro campo, incluindo a compra do gramado, a previsão é de inauguração do CT em 60 dias.

A estruturação do clube para a década que se inicia é um dos orgulhos do ex-presidente. Os pilares foram implantados e, segundo ele, logo irão gerar ganhos expressivos à administração.

Ricardo deixa claro, por fim, que jamais menosprezou a importância da torcida para o clube. Enumera medidas de ordem prática, como promoções para atender camadas mais modestas e o lançamento do filme “Cem anos de Payxão”, quando ainda dirigia o marketing do PSC.

Reafirmando o orgulho de presidir o clube, com sentimento de dever cumprido, Ricardo defende a importância de unir as tendências internas até para fortalecer a conexão com a torcida, superando as notícias ruins e as fake news que tanto atrapalham a gestão. Deixa claro que continuará a ser um colaborador entusiasmado do Papão.

Menos um atleta para Bonamigo escalar na final

O amigo jornalista Magno Fernandes faz oportuno adendo ao texto da coluna de ontem, no qual esbocei uma hipotética escalação do Remo para o confronto com o Vila Nova, no próximo sábado (23), válido pela primeira partida da decisão da Série C 2020.

É que o volante Pingo, citado por mim, não está inscrito. Ele disputou a Segundinha pelo Pinheirense e retornou ao Remo, mas um atraso no registro da documentação o tirou da Série C. Quando saiu a publicação no BID, o prazo para inscrição de jogadores já havia acabado.

O novo Gallardo perde fôlego após a goleada

Quem viu o entusiasmo dos analistas e narradores paulistas após a vitória do Corinthians sobre o Fluminense, por 5 a 0, na semana passada, não reconheceu nenhum deles anteontem à noite, em meio ao clima fúnebre pela surra que o Timão tomou do Palmeiras.

A tristeza é compreensível, pois o errático time de Vagner Mancini e Jô chegou a ser saudado como candidato a brigar pelas primeiras posições da Série A. Como se sabe, a mídia da capital paulista se pauta pelos níveis de audiência da gigantesca massa corintiana.

É mais do que conhecido o açodamento em supervalorizar feitos do Corinthians a fim de turbinar os índices de audiência. Os pais da matéria ficaram ainda mais mofinos diante da pífia performance de Mancini, que havia merecido elogios comparáveis a um Gallardo pela “estratégia” usada na estupenda vitória sobre o Flu.

Os quatro gols palmeirenses tiveram, como se vê, o mérito de recolocar as coisas em seus devidos lugares. Nada como uma goleada após a outra.

Gerson Nogueira
Editor Responsável
DIÁRIO DO PARÁ
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