Atrações, favoritos e expectativas

Na quinta-feira à tarde, a Tuna apresentou oficialmente o experiente meia Eduardo Ramos como reforço para a disputa do Campeonato Paraense. É, pelo menos até segunda ordem, a principal atração da competição deste ano. A própria Lusa chega cercada de grande expectativa, após longo período ausente da divisão principal.

ER, maior ídolo remista no século XX, chega credenciado pela técnica que sempre teve e por um sentimento de desafio, depois de ter sido descartado pela comissão técnica azulina ao término de seu contrato com o clube.

O esforço da Tuna, em meio à pandemia e suas consequências, dá a medida da importância que o Parazão tem para os torcedores. Um torneio que sempre foi deficitário, sem patrocínio master junto à iniciativa privada, tem seu suporte na verba disponibilizada pelo Governo do Estado.

É justamente o auxílio do governo que permite fôlego à Tuna para, com a colaboração de grandes entusiastas do clube, buscar uma contratação de grande envergadura. Como o campeonato é a única competição no calendário tunante, justifica-se plenamente o empenho de seus dirigentes.

No fundo, todo mundo sabe, o próprio Parazão só se mantém de pé em função do convênio com o Banpará e a Funtelpa, instituições estatais que detêm os direitos de marca e transmissão dos jogos, respectivamente.


Caso dependesse unicamente da capacidade de mobilização da Federação Paraense de Futebol, o Estadual nem mais existiria. Nesta temporada, há um problema a mais no aspecto técnico: serão 12 clubes disputantes, o que forçou um sistema inédito de disputa, meio confuso, mas ficando abaixo da quantidade de datas previstas pela CBF.

Toda a expectativa em torno do torneio desta temporada provém da rivalidade existente entre PSC e Remo, que não arrefece nem mesmo com a ausência de torcidas nos estádios. As discussões e gozações se transferem para as ruas, feiras, mercados, escritórios e demais ambientes de trabalho.

A dupla Re-Pa vai utilizar o Parazão como campo de experiências para o Brasileiro. O PSC vai disputar a Série C focado na busca do acesso à Série B. O Remo volta à Série B, com previsão de recursos mais fartos (R$ 8 milhões só pela participação), o que lhe permite encaminhar um rol de contratações, que têm estreia prevista para o campeonato.

Dos contratados, o centroavante Renan Gorne gera muita expectativa. A boa performance na recente Série B, marcando gols como titular do ataque do Confiança, abrandou as desconfianças da torcida em relação ao retrospecto de Gorne com a camisa do PSC há dois anos.

Além dele, o Leão vai ter como atrações os laterais Wellington Silva (que já participa da Copa Verde) e Tiago Ennes; o volante Jefferson Lima e provavelmente mais três ou quatro reforços que devem ser apresentados antes do Parazão. O artilheiro Salatiel segue na mira.

Do elenco que disputou a Série C 2020, o técnico Paulo Bonamigo terá Vinícius, Marlon, Lucas Siqueira, Rafael Jansen, Augusto, Wallace e Hélio Borges como peças de referência no elenco.

O PSC, atual campeão, anunciou seis reforços: o goleiro Victor Souza, os laterais Israel e Junior, o zagueiro Denilson e os atacantes Ari Moura e Igor Goularte. Nos planos, os volantes Adriel e Jonathan.

A rigor, o Papão é o time que vem mais modificado para a competição, a começar pela comissão técnica, encabeçada pelo experiente Itamar Schülle. Como o Estadual servirá como oportunidade para entrosar a equipe visando a Série C, alguns remanescentes serão importantes ao longo do processo.

O atacante Nicolas, melhor jogador da equipe nas últimas duas temporadas, segue como principal referência, tanto no equilíbrio tático ofensivo como finalizador. Na zaga, Perema deve ser titular, ao lado do novato Denilson.

As contratações devem chegar a 12 até o começo do campeonato, fazendo crer em uma transformação quase radical na maneira de jogar do time. Garotos vindos da base dificilmente serão aproveitados, ao contrário do que indicava o discurso de Schülle ao chegar. Alan Calbergue e Debu já foram descartados. Vitinho e Willyam já tinham saído.

Outro clube que tem investido pesado para a temporada é o Castanhal, que vem montando uma espécie de seleção regional, garimpando talentos em outros clubes e Estados vizinhos. A boa campanha de 2020 estimulou os dirigentes a reforçar o time, que é comandado por Artur Oliveira.

Dos emergentes, o Castanhal é seguramente o mais preparado para brigar com os grandes da capital. Bragantino, Águia e Independente, com menos avidez por contratações, correm por fora.

Bola na Torre

O programa começa depois da transmissão da NBA na RBATV. A apresentação é de Valmir Rodrigues com a participação (home office) de Guerreiro, Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, o primeiro jogo da final da Copa Verde e os preparativos dos clubes para o Parazão. Edição de Lourdes Cézar, com direção geral de Toninho Costa.