A diretoria do Palmeiras decidiu interromper nesta quinta-feira (29) o silêncio que perdurava desde a queda do time na Taça Libertadores, ocorrida na terça (27), em derrota para o Grêmio, por 2 a 1, no Pacaembu.

O diretor de futebol palmeirense, Alexandre Mattos, comandou uma entrevista coletiva na Academia de Futebol, na qual bancou Luiz Felipe Scolari no comando técnico e pediu desculpas ao torcedor tanto pela eliminação nas quartas de final do torneio internacional quanto pela ausência nos dias seguintes.

“A primeira coisa é que não falamos porque tivemos um desencontro. Não teve nenhum pedido ou posicionamento para que ninguém falasse. Eu e todo pessoal achávamos que o torcedor mais do que nunca tinha que ter uma resposta. Mudaram o local da zona mista [área de entrevistas] no Pacaembu, e o vestiário do mandante estava já na saída. Acabou que aconteceu”, iniciou o dirigente.

“A segunda coisa que quero dizer é que o Felipe é nosso treinador e está conosco. Não passa por nossa cabeça fazer uma troca. Ele é o atual campeão brasileiro e há muito pouco tempo tinha recorde atrás de recorde. Vamos prosseguir no que entendemos ser o melhor para o Palmeiras”, disse.

“Por último, queria pedir desculpa ao torcedor. Sem dúvida alguma foi a derrota mais dolorosa de todas. Eu sou profissional de vestir a camisa e amo minha profissão e estar no Palmeiras. Tinha o sonho de buscar a Libertadores. Estava na mão, mas erramos e precisamos aprender.”


Um dos primeiros questionamentos da coletiva foi sobre a montagem do elenco, que tem recebido críticas da torcida. Felipão disse que não há carências no grupo, enquanto Mattos defendeu o trabalho da diretoria, citando elogios recorrentes da imprensa esportiva aos jogadores palmeirenses.

“O Felipão disse que não falta nada, e é o treinador que decide. Na parada para a Copa América, além de não perder ninguém, contratamos. Fomos campeões no ano passado com esse elenco. Foram 12 ou 15 jogos com time alternativo, e buscamos títulos. Mantivemos Dudu, Gustavo Gómez, Bruno Henrique.”

“Estamos pensando no projeto de presente e futuro, mas agora vem a falta de paciência. A grande maioria dos críticos diz que temos o melhor elenco do Brasil, mas agora, na hora que perde, parece que ninguém presta. Mas respeitamos o manifesto dos torcedores”, completou Mattos.

Ele fez menção a um manifesto feito pela Mancha Verde, principal uniformizada do clube, no qual o dirigente era acusado de irregularidades a nível pessoal e na gestão do clube. Mattos reiterou ter boa relação com a torcida e disse lamentar a exposição de familiares.

“Tenho respeito muito grande pelos que conheço e sei que até eles escreveram tudo. O sofrimento fica mais pela família que viu tudo aquilo, mas minha vida é limpa. Se têm algo contra, provem. Estou aqui porque minha vida é limpa e mantenho caráter e coração. É a família que sofre”, disse o dirigente.

Logo depois da coletiva, a diretoria palmeirense recebeu integrantes da Mancha Verde para uma reunião. Na saída da Academia, já no fim da tarde, André Guerra, presidente da organizada, apontou Mattos como o maior responsável pelo momento ruim do Palmeiras, além de criticar Felipão.

“A gente vai apoiar durante os 90 minutos, só que alguma coisa tem de acontecer dentro do Palmeiras. Não dá para o Palmeiras ter R$ 700 milhões de faturamento e ter um time pior do que o Corinthians, que está quase falido, do que o São Paulo ou o Flamengo”, disse o líder da uniformizada.

Ainda na coletiva, o técnico do Palmeiras também se manifestou. Felipão rebateu as críticas que acusam falta de repertório da equipe, defendeu o estilo de jogo que implantou no Palmeiras e disse não achar normal o volume de cobranças que recebe, citando a conquista do Brasileiro no ano passado.

“Se essa equipe do Palmeiras só tem esse tipo de repertório, como foi campeã no ano passado e está em terceiro lugar [no Brasileiro]? Não acho que seja normal estar discutindo meus métodos de treinamento, porque ninguém assiste meus treinos e pode ter certeza de que é bom igual aos dos outros”, disse.

O técnico de 70 anos foi questionado sobre a quantidade de cobranças de lateral que o Palmeiras alçou à área -jogada muito utilizada pela equipe em 2016, quando era treinada pelo técnico Cuca, e que permaneceu após a quantidade de chances criadas naquela conquista.

“Se eu tenho essa jogada que me ajuda, por que vou parar? Vocês [jornalistas] veem pelos seus próprios olhos e acham que tem que ser assim. Vou seguir o meu repertório e vou continuar a usar. O Palmeiras, quando foi campeão [brasileiro] em 2016, todo mundo chamava de ‘Cucabol’, e o time foi campeão”, disse.

Felipão, que ainda na coletiva havia citado chances perdidas por Willian contra o Grêmio, voltou atrás e tentou tirar a culpa do jogador pela eliminação, dizendo confiar nele. No jogo, o camisa 29 do Palmeiras falhou em duas oportunidades já ao final do primeiro tempo e acabou substituído no intervalo, por Deyverson.

“Duvido que alguém colocaria o Willian em campo voltando de lesão, com dificuldade técnica. Coloco porque confio. Quem errou no jogo foi eu, que comando, que errei a equipe. Não fizemos os gols para se classificar, mas os jogadores fizeram sua parte, e vamos discutir dentro do vestiário o que é certo”, concluiu.