O Águia foi melhor em boa parte do jogo contra o Remo, ontem à tarde, em Marabá. Controlou bem o meio e o ataque do visitante e saiu na frente, com um gol que revelou a fragilidade da marcação na ala esquerda da zaga azulina. Antes disso, já havia levado perigo em jogadas de Dé, Balão e Veraldo, inclusive com um chute no travessão.

Dioguinho, novamente o jogador mais dinâmico do Leão, garantiu o empate ainda no primeiro tempo. Recebeu cruzamento perfeito de Lucas Tocantins, cabeceou firme e aproveitou com competência o rebote do goleiro João Ricardo.

Além do gol, Dioguinho se movimentou por ele e pelos demais companheiros de ataque. Edson Cariús foi pouco acionado por um meio-campo que não teve iniciativa, nem inspiração. Renan Oliveira tinha a responsabilidade de organizar e fazer a transição ofensiva. Não conseguiu e acabou substituído sem mostrar utilidade para o time.

Como era uma oportunidade de observações para o técnico Paulo Bonamigo, que poupou cinco titulares – Wellington, Jansen, Marlon, Lucas Siqueira e Felipe Gedoz –, a impressão é de que acabou servindo para mostrar com quem ele não pode contar no caso de uma eventualidade.

Os laterais Tiago Ennes e Felipe Borges foram discretos, preocupados demais com a vigilância ao ataque do Águia. Jefferson Lima ficou mais no combate de meio-campo, com pouco destaque na saída de bola. Uchoa teve atuação regular, não comprometeu, mas ainda longe do volante participativo dos tempos de PSC.

Renan foi a peça mais destoante, pela ausência de movimentação. Pareceu intimidado pela dura marcação e não arriscou nenhum chute a gol ou lançamento longo. Muitos dos problemas do Remo no jogo passaram pela ausência de uma cabeça pensante no meio-campo.

No ataque, Lucas Tocantins foi pouco acionado e teve sempre marcação dobrada pela frente. O mesmo problema foi enfrentado e resolvido por Dioguinho, marcado implacavelmente, mas ainda assim criando problemas para a defensiva do Águia.


Quando ninguém esperava, ele surgiu como um raio para explorar o jogo aéreo, fugindo às suas características. Fez o papel que era reservado ao centroavante Cariús, visivelmente sem velocidade e pouco afinado com os companheiros.

O Águia foi bastante ousado no primeiro tempo, aquietou um pouco no início da segunda etapa, quando o Remo trocou peças e ganhou em ímpeto ofensivo, com Ronald, Renan Gorne e Wallace.

Um gol de Dé, anulado equivocadamente pela arbitragem, gerou polêmica ao final do confronto. As imagens mostram o atacante do Águia ligeiramente atrás da linha de zaga, cujo último homem era Mimica.

Projeções indicam quartas de final equilibradas

Pelas campanhas dos clubes nas seis primeiras rodadas, apesar do excessivo número de empates (17), o Parazão mostra bom nível de gols e tende a engrenar na próxima etapa – com o equilíbrio dando as cartas.

Caso a fase de classificação terminasse agora, os confrontos das quartas seriam os seguintes: Remo x Bragantino, Independente x Águia, PSC x Tuna e Castanhal x Itupiranga.

Os rebaixados seriam Gavião e Tapajós, ambos com três pontos.

Papão vence jogando mal e aborrece Schulle

Nem o técnico está aguentando o desempenho do time do PSC no Estadual. No sábado pela manhã, em Outeiro, a vitória magra não disfarçou a sofrível atuação diante do Tapajós, um dos lanternas da competição. Após a partida, durante a entrevista de praxe, Itamar Schulle foi lacônico demonstrando certa impaciência. Só podia estar chateado com o time.

Sufocado desde o início da partida, desorganizado como de hábito e sofrendo seguidos ataques pelo lado direito – sempre ele – da defesa, o Papão se safou com um gol em contra-ataque puxado por Paulinho e Jhonnatan e finalizado por Igor Goularte, aos 19 minutos.

Foi, a rigor, a única boa jogada executada pelo time na partida. A evidência da pobreza técnica é que não houve nenhum outro lance de maior perigo para o gol de Paulo Wanzeller, arqueiro do Tapajós. Só uma bola foi em sua direção, num chute fraco de Robinho.

Ao contrário, Victor Souza passou maus bocados com as investidas de PC Timborana, Paulinho Curuá e Rosivan. Antes de sofrer o gol, o Tapajós havia criado três grandes oportunidades e feito um gol, com Rosivan, anulado por impedimento.

No segundo tempo, apesar de várias substituições feitas por Artur Oliveira para injetar sangue novo na equipe, o Tapajós arrefeceu um pouco até os 25 minutos. Foi o momento mais tranquilo do PSC na partida, quando Ruy foi substituído por Robinho e Nicolas passou a ter companhia na frente.

Jhonnatan foi o mais aplicado, embora jogando isolado na meia-cancha. Ratinho, Paulinho e Ruy pouco apareceram em campo. Nicolas também sofreu os efeitos da apatia e baixa agressividade do time.

Ari Moura entrou tarde, João Paulo nem entrou e até Yan, que não havia sido escalado de início por recomendação médica, inexplicavelmente foi posto na partida aos 51 minutos, aparentemente para deter a pressão do Tapajós nos minutos finais.

A incoerência da utilização de Yan não foi explicada, bem como ficaram sem respostas a insistência com Ruy no meio e a entrada sem lógica de Denilson também para compor a zaga. Resumo da ópera: o PSC terminou o jogo com quatro zagueiros – Alisson, Perema, Yan e Denilson.