Belém,Pará,Brasil.Bola:Campeonato Paraense Jogo entre Remo e Paysandu na Foto:Torcida do Remo,lance,E Comemoração do Gol do Nicolas do Paysansndu 09/02/2020.Fotos:Fernando Araújo/Diário do Pará

Artilheiro bicolor pelo segundo ano consecutivo, com 19 gols marcados na temporada, sobre os ombros do atacante Nicolas residem a confiança e a esperança de boa parte da Fiel Bicolor. Ele sabe disso e nunca fugiu do cumprimento do dever, mas divide entre os companheiros de elenco a força e também a responsabilidade para levar o Paysandu de volta à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

“Isso é absolutamente normal, mas divido a responsabilidade com todos meus companheiros. Acredito que todos têm suas parcelas de responsabilidade, com um grupo totalmente fechado. A torcida acaba vendo em mim um fator a mais de cobrança e sou grato por isso, pois é fruto de um trabalho construído ao longo de dois anos. Estou tranquilo quanto a isso, porque quanto mais responsabilidade, mais eu trabalho”.

Ao falar sobre o fato de o Paysandu ser o único dos três times restantes do Grupo D que depende apenas das próprias forças, Nicolas faz uma espécie de defesa do adversário de sábado ao valorizar o confronto, ressaltando que o Ypiranga-RS é um time tão forte quanto o Paysandu e que o jogo será um dos mais complicados da temporada, pelo equilíbrio e por tudo que cerca a busca pelo acesso.


“Não podemos ter desatenções. É um jogo de extrema concentração e acredito que as duas equipes estarão assim, em níveis altíssimos de concentração. Quem errar menos será o vitorioso. Temos que evitar todo e qualquer erros apresentados na temporada. Evoluímos bastante e estamos totalmente maduros para chegar a esse jogo e conquistar o que desejamos”, disse. “Vai ser difícil e competitivo. Do lado de lá tem uma equipe que busca o mesmo objetivo e joga em casa. Chegamos dependendo só da gente, por isso será uma final e não tenho dúvidas disso. Temos que determinar o ritmo do jogo”, completou Nicolas.

O atacante destaca que mesmo tendo consciência das dificuldades que o Papão terá no Estádio Olímpico Colosso da Lagoa, de nada adiantará tentar ser um time retrancado, saindo da forma de jogar utilizada durante toda a competição, sempre jogando para frente. “O Ypiranga vai ser um time que vai brigar ao máximo pela classificação. Vamos respeitar, mas sabendo do que podemos fazer, implementando nosso ritmo para tentar administrar a partida da melhor maneira possível, sem nunca fugirmos das nossas características”.

Acesso é chance de entrar de vez na história do clube e do Pará

Há mais de dois anos em Belém, o gaúcho Nicolas Godinho Johann se encaixou como uma luva ao Paysandu e os gols o levaram à condição de ídolo da torcida. Natural de Alegria (RS), ele é remanescente de uma temporada quase perfeita em 2019, mas que bateu na trave no Campeonato Paraense, na Copa Verde e na Série C, com o paraíso ficando à distância de um passo. Por isso ele admite que nos últimos tempos ele acorda, trabalha, descansa e vai dormir com apenas um pensamento: o acesso. Depois de amanhã ele e seus companheiros terão a chance de entrar para a história do clube.

“Não é segredo para ninguém o quanto eu quero esse acesso, é um sonho desde o ano passado e me dedico demais para isso. Treino, descanso e me cuido para esse momento. Teremos mais uma oportunidade neste fim de semana e só passa isso na pela minha cabeça”, revela o atacante, hoje também um pouco paraense, como ele mesmo diz, tanto que o ano em que defendeu o Ypiranga-RS, em 2012, é comentado quase en passant, sem maiores detalhes. “Foi quase um ano de clube e não teve nada de curioso na passagem”.

Talvez uma coisa o diferencia ainda da maioria dos paraenses, em especial os de Belém, que é a passionalidade em relação às devoções religiosas. Quando perguntado sobre sua religiosidade, algo tão caro à maioria dos jogadores de futebol, ele prefere que o assunto “não entre em campo”, com os olhares celestiais visando a todos, sem privilegiar um dos lados. “Sou um homem de fé. Independente da situação, temos que fazer por onde. Ter fé ajuda e é de cada um, por isso não gosto de misturar as coisas. A responsabilidade é total de quem está em campo”, disse. “Sou católico, mas não tenho muito hábito (de ir às igrejas). Gosto dessa fé do povo paraense. Ano passado (2018) fui em quase todas as procissões do Círio de Nazaré e é algo impressionante”, completou Nicolas.

(Diário do Pará)