Embora seja, hoje, a quarta receita do Paysandu, diferente do que foi até o final da década de 1990, quando arcava com praticamente todo o orçamento do clube, a bilheteria dos jogos do time continua sendo importante fonte de renda para os bicolores. É o que mostra o balancete de arrecadação do bicampeão estadual neste primeiro semestre, prestes a findar. Em três competições oficiais – Parazão, Copa Verde e Copa do Brasil -, todas encerradas, o Papão arrastou para seus cofres perto de R$ 2 milhões em 12 partidas como mandante, com média de quase R$ 155 mil por partida.

A competição que proporcionou a maior arrecadação ao clube foi o Parazão, pelo qual o time fez 14 partidas, metade delas como mandante. O Estadual deixou nos cofres do clube um total de R$ 1.040.340,78. A segunda principal fonte de receita do clube foi a Copa Verde, na qual os bicolores fizeram 8 apresentações, sendo 4 em Belém, com o apoio da Fiel, que assegurou ao clube R$ 680.051,38.

Embora tenha sido a disputa de menor fôlego para os bicolores, com a realização de apenas duas partidas, contra o Santos-AP, a Copa do Brasil foi, em termos de cota, a que mais lucro deu aos bicolores: R$ 1.050,000,00. Mas atuando em Belém, depois de ter sido derrotado no jogo de ida, por 2 a 0, e num horário ingrato, o público do jogo decisivo no Mangueirão foi de apenas 11.733 pagantes, que deixaram nas bilheterias R$ 251.370,00, dos quais o Papão teve direito a R$ 139.382,97.

Juntando os valores arrecadados com a venda de ingressos e as premiações que o clube teve nas 3 competições oficiais, o lucro do Paysandu nos primeiros cinco meses do ano atingiu a soma de R$ 4.217.664,73. Valor nada desprezível, levando em conta que a temporada só está em sua metade, com o Papão ainda tendo pela frente a disputa da Série B do Brasileiro, competição apontada como “carro-chefe” na programação do clube e na qual o time fará um total de 38 partidas, metade delas em Belém, com a presença do torcedor bicolor.

Novo modelo de negócio é caminho sem volta


O fato de a venda de ingressos terem deixado de ser o “carro-chefe” das arrecadações do Paysandu não deve causar nenhum espanto. Desde que o futebol se transformou em um grande negócio em escala mundial, os clubes passaram a buscar outras fontes de receitas, hoje superiores ao dinheiro proporcionado pelas bilheterias. O vice-presidente de operações do Paysandu, Tony Couceiro, 46 anos, cita como exemplo, o caso do Corinthians-SP, um dos clubes de maior torcida no futebol brasileiro.

“No ano passado, as arrecadações do campeão paulista chegaram a apenas 8% da receita do clube”, informa. “Aqui no Paysandu já há algum tempo, a renda dos jogos foram superadas por outras fontes de receitas e hoje o que é proporcionado pela venda de ingressos representa a nossa quarta fonte de renda, sendo superada pelo projeto Sócio Bicolor, venda de material da marca Lobo e patrocinadores”, explica o dirigente.

De acordo com Couceiro, este é um caminho sem volta. “As mídias, que hoje determinam a programação do futebol, pagam cada vez mais aos clubes”, justifica. Mas o torcedor, conforme ressalta o vice-presidente, continua tendo grande relevância, independente de ir ou não ao estádio. “O torcedor jamais deixará de ter importância, afinal é ele quem compra os produtos, prestigia as promoções e compra os pacotes de jogos do time na televisão, que nos dão a certeza de arrecadações, diferente das rendas, que dependem do momento do time”, arremata.

Raio x

Patrocínios garantem saúde financeira do clubeO Paysandu tem, hoje, como carro-chefe entre os seus patrocinadores uma das maiores instituições bancárias do país: a Caixa. A empresa estatal proporciona ao clube uma arrecadação de R$ 2 milhões por ano, ou seja, R$ 200 mil mensais. O valor, no entanto, poderá chegar até a R$ 4 milhões, de acordo com a reciprocidade que seja dada pelo clube, que precisa ser uma espécie de cliente especial do banco.

À medida que o clube passa a utilizar os serviços da Caixa, pagando seus tributos, abrindo contas para seus funcionários, depositando FGTS e outros tipos de operação, o valor vai aumentando, numa espécie de pontuação.

Além da Caixa, o Papão conta ainda com outros dois patrocinadores, a Trigolino e a Alubar, que juntas rendem ao clube R$ 76 mil mensais. Já as Lojas Lobo, assim como o projeto Sócio Bicolor, que reúne hoje mais de 8.000 filiados adimplentes, garantem, cada uma, uma renda de R$ 700 mil mensais aos cofres bicolores.

Público x Renda

Equilíbrio entre as torcidas nos clássicos Re-PaMantendo a tradição mais que centenária, o duelo envolvendo Remo e Paysandu, disputado desde 1914, teve um capítulo à parte, neste primeiro semestre do ano. Os rivais entraram em campo para se enfrentar em quatro oportunidades. Foram dois empates (1 a 1) e uma vitória (2 a 1) para cada lado, todas as partidas pelo Parazão. Leão e Papão até poderiam ter se enfrentado por outras duas vezes, caso o time azulino não tivesse sido eliminado na semifinal da Copa Verde.

Mas se o retrospecto do Re-Pa registrou igualdade em tudo dentro de campo, em termos de público e renda houve diferença. O Papão foi quem mais arrastou torcedor ao Mangueirão, com uma pequena vantagem de apenas 47 bicolores. No fator arrecadação, o Leão deu o troco, garantindo a soma de R$ 1.130.693,00 contra os R$ 907.908,33.

(Nildo Lima/Diário do Pará)