Não é de hoje que Clube do Remo e Paysandu duelam no Brasileiro. Mas o Re-Pa do domingo (23), no Mangueirão, tem tom de ineditismo em relação aos demais disputados pelos tradicionais rivais na competição. Isso porque pela primeira vez Leão e Papão se confrontarão pela Série C do Nacional. As demais partidas, num total de 18, ocorreram quando bicolores e azulinos participavam das Séries A e B. O retrospecto do Re-Pa em Brasileiro, iniciado no distante ano de 1971, apresenta uma ligeira vantagem dos bicolores, que somam cinco vitórias contra quatro do adversário. Em nove clássicos houve empate.

O Papão entra em campo, no final de semana, disposto a ampliar a vantagem, o que representaria a reabilitação da equipe na temporada, na qual acumula um total de oito partidas sem vencer, sendo seis delas pela Série C. Um revés diante do rival fará com que o retrospecto fique igualado, com o tira cisma ocorrendo apenas no jogo de volta pela Terceirona. A vantagem bicolor, no histórico do confronto em Brasileiros, também se estende ao número de gols marcados pelas equipes: 25 a 20.

Retrospecto à parte, para muitos torcedores, principalmente do rival, o Leão entrará em campo como favorito, levando em conta a campanha feita pelas equipes até a 8ª rodada do campeonato. Enquanto os azulinos ocupam a vice-liderança do Grupo B do campeonato, com 15 pontos, mesmo número do líder Juventude-RS, que tem vantagem no saldo de gols (6 a 4), o Paysandu é o 4º colocado, com dez pontos, mas tendo em seu encalço Volta Redonda-RJ, Ypiranga-RS, Tombense-MG e Boa Esporte-MG, cada um com nove pontos.

Embora os números, que dizem não mentir jamais, penderem favoráveis ao Leão, os jogadores bicolores acreditam em uma partida equilibrada, levando em conta o fato de se tratar de um clássico. “Assim como eles, nós também vamos propor o nosso jogo”, avisa o jovem lateral- esquerdo Diego Matos, 22 anos, praticamente escalado para substituir Bruno Collaço, suspenso. Para o volante Caíque Oliveira, o fato de o adversário estar em posição privilegiada na classificação não o faz favorito para o Re-Pa.

“Clássico não tem favorito. A gente sabe disso, a gente sabe que o clássico é um jogo à parte e que temos de estar atentos aos detalhes”, afirmou o meio-campista, ontem à tarde, na Curuzu, quando o técnico Hélio dos Anjos deu sequência aos preparativos do time bicolor para o Re-Pa do domingo. O jogador salientou a importância de uma vitória para o Papão. “Acarreta muitas coisas boas para o restante do campeonato”, observou.

RETROSPECTO

Brasileiro Série  A

Jogos: 11


Vitórias do Remo: 2

Vitórias do Paysandu: 2

Empates: 7

Gols do Remo: 12

Gols do Paysandu: 13

Brasileiro Série B

Jogos: 7

Vitórias do Remo: 2

Vitórias do Paysandu: 3

Empates: 2

Gols do Remo: 8

Gols do Paysandu: 12

Concorrência: três para uma vaga

Caíque já atuou improvisado e é o mais cotado para assumir a posição no Re-Pa. Foto: Jorge Luiz/PSC

Embora tenha três atletas que já teriam se colocado à disposição para atuar improvisado na lateral-direita, substituindo o titular Tony, que está suspenso, o técnico Hélio dos Anjos ainda não anunciou se utilizará um dos volantes, Willyam ou Caíque Oliveira, ou o atacante Elielton no lado direito do time. Mas Caíque assegurou na coletiva que já se prontificou a colaborar com a equipe. Ele ressaltou que desde que foi contratado nunca se recusou a jogar fora de sua posição de origem.

“Já me coloquei à disposição não só pra essa situação, mas desde o início do ano quando cheguei”, afirmou Caíque, que não parece disposto a ficar de fora do Re-Pa. “Estou à disposição. Sei que pode ter essa possibilidade, mas ainda tem tempo pra ser definido. Tem o treino de hoje (ontem), de quinta (hoje), sexta e sábado para o professor Hélio resolver e decidir quem pode atuar por ali”, comentou o volante. “Como sempre friso nas entrevistas, vou tentar ajudar da melhor forma possível”, ratificou.

De acordo com Caíque, com a experiência que tem, o comandante bicolor saberá escolher o substituto mais adequado para compor a defesa bicolor para o Re-Pa. “Ele vai saber pelas características, pelas circunstâncias do jogo quem utilizar”, apontou. O volante também comentou o fato de Hélio ter deixado de lado os treinos secretos, adotados pelos últimos treinadores do time, sobretudo às vésperas de partidas importantes, como a do domingo. “Acho que não tem motivo para mistério”, apoiou Caíque.

GRANA: Presidente bicolor viaja em busca de recursos

O presidente do Paysandu, Ricardo Gluck Paul, deu um tempo, ontem, no acompanhamento da preparação do time bicolor para o Re-Pa do domingo (23) e embarcou com destino a São Paulo, conforme informou, no início da noite, a assessoria do clube. Segundo a nota expedida no grupo do clube no WhatsApp, o dirigente viajou com o objetivo de conseguir recursos financeiros que servirão para tentar resolver alguns pagamentos que estariam pendentes com funcionários do clube, inclusive atletas.

Gluck Paul tentará, hoje, receber a última parcela da Série B de 2018, que ainda está amarrada juridicamente, e também viabilizar o pagamento da cota de participação do time na Série C 2019. “Iremos reunir a cúpula dos cinco clubes que lideram o diálogo com a CBF e na sexta e no sábado tratamentos da pauta diretamente com o Rogério Caboclo (presidente da CBF)”, declarou o bicolor em entrevista à assessoria do Papão, que a repassou à imprensa. O dirigente aproveita a viagem para assumir a liderança de um movimento dos clubes da Série C no sentindo de abrir diálogo com a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade é acusada pelos clubes de não dar a atenção que eles julgam ser merecida pela Terceira Divisão. Caso consiga êxito em suas investidas aos cofres da CBF, um dos problemas que deverão ser solucionados pelo dirigente diz respeito ao goleiro Douglas Silva, o volante Alex Galo e o atacante Paulo Henrique, que aguardam por suas respectivas rescisões contratuais com o clube.

(Nildo Lima/Diário do Pará)