Para o torcedor do Paysandu, o zagueiro Fábio Alemão, de 22 anos, não passou de um turista em visita a Belém em 2018. E nem poderia ser diferente, afinal de contas, o jogador, cria do Juventude-RS, que o negociou com o Internacional-RS, ao qual ele está vinculado, não fez uma só partida na Série B do Brasileiro. E chance para isso foi o que não faltou ao atleta, cuja contratação foi anunciada pelo clube dia 10 de setembro, quando ainda faltavam 12 rodadas para o final da Segundona. Mas o defensor acabou sendo preterido pelo técnico João Brigatti, que optou por outros zagueiros.

De volta à Curuzu este ano, Alemão, cujo contrato com o Papão expira em maio, quer mostrar serviço e assegurar sua permanência no elenco, com a prorrogação de seu vínculo por pelo menos seis meses. O jogador assegura que mesmo não tendo estreado com a camisa do clube, os primeiros três meses de permanência em Belém, diferente do que imagina o torcedor, tiveram real importância em sua carreira. “Deu para me preparar bem, me acostumar com a cidade e, principalmente, com o calor”, alega o jogador, que afirma estar, agora, melhor condicionado para encarar a disputa pela titularidade.

“Tive muito aprendizado nesse período que não joguei. Foi difícil com o rebaixamento, mas no dia a dia pude ganhar muita experiência com jogadores mais rodados”, argumenta Alemão, cujo nome de registro é Fábio Augusto Schirmann, sobrenome que justifica, além das características físicas, o apelido que carrega desde a base do Juventude. Nascido na cidade de Três Passos, o defensor não fez uma só partida pelo profissional do Inter, atuando apenas pelos times sub-20 e sub-23 em 13 jogos. Mesmo assim ele avalia como vitoriosa sua iniciante carreira no futebol.

“Em todos os times que eu passei, em quase todos os campeonatos que entrávamos, terminávamos com a defesa menos vazada”, diz. “Minha característica sempre foi de muita raça e determinação”, recorda ele, que terá, agora, a oportunidade de mostrar à Fiel todos os predicados que afirma ter dentro de campo e que até poderiam ter sido utilizados em 2018. O defensor promete, desde 2018, brigar por uma vaga na equipe bicolor.

Alemão assegura estar se informando sobre os detalhes do Estadual local, competição que poderá abrir a porta para que ele se torne ídolo da Fiel, assim como Diego Ivo, atleta da mesma posição, mas que, após dois anos de Curuzu, já não está mais no elenco do clube. Quem sabe ele não possa ocupar o espaço deixado pelo ex-companheiro de clube?

GAÚCHOS NO PAPÃO


– O último gaúcho a fazer sucesso com a camisa bicolor foi o atacante Aylon, que desembarcou em Belém como um desconhecido para a Fiel, mas que, ao final da temporada de 2015, teve a sua volta pedida pelos simpatizantes do clube. Da mesma maneira que Fábio Alemão, o atacante havia deixado a base do Inter-RS e precisava ganhar maturidade, o que ensejou seu empréstimo. Na Curuzu, ele disputou 48 partidas, marcando oito gols.

– O bom desempenho do jogador pelo Paysandu, naquele ano, acabou fazendo com que ele retornasse ao Colorado na temporada seguinte, chegando a ser titular da equipe em 46 jogos em 2016/2017, com 13 gols anotados. Depois de abrir as portas do futebol atuando pelo Papão, o atacante defendeu o Goiás-GO e o América-MG, estando agora na Chapecoense-SC, equipe pela qual disputará a Série A do Brasileiro desta temporada.

– De Chapecó, o jogador, de 26 anos, falou sobre a sua passagem pelo Papão. “Foi uma época importante. Um clube pelo qual tenho o maior carinho e que ficará para sempre no meu coração”, disse. O jogador desejou sucesso ao conterrâneo Fábio Alemão. “Que ele tenha a mesma felicidade que tive vestindo a camisa do Paysandu. É tudo o que posso desejar a ele”, resumiu.

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“CREIO QUE AQUI HÁ UM PROPÓSITO PARA A MINHA VIDA”

Se existe algo do qual o zagueiro Fábio Alemão não pode ser tachado é de ser um sujeito pessimista. Muito ao contrário. Mesmo tendo passado três meses apenas treinando na Curuzu, no ano passado, o defensor vê no Paysandu uma porta aberta para que ele comece a deslanchar no futebol. “Creio que aqui há um propósito para a minha vida”, vislumbra o atleta bicolor, que admite ter vivido o sonho de estrear com a camisa do Papão já em 2018, logo quando chegou ao clube em pleno andamento do Campeonato Brasileiro da Série B.

“Expectativa a gente sempre tem, como tive no ano passado, mas acabou não chegando”, argumenta o zagueiro, que parece ter a bateria de confiança recarregada neste começo da nova temporada. “Espero ter mais oportunidade, assim como todos aqui”, revela Fábio Alemão, que é só elogios ao trabalho que vem sendo ministrado pela comissão técnica ao elenco bicolor. “Estamos fazendo etapas bem elaboradas”, revela. Ainda que não seja lembrado pelo técnico João Brigatti logo para a estreia no Parazão, contra o São Francisco, de Santarém, Fábio Alemão não perde a confiança em estrear assim que for possível com a camisa do Papão.

“Acredito que vai começar um time, mas com o decorrer das partidas tem os cartões e as lesões”, planeja o zagueiro. “Por isso é importante que todo mundo esteja preparado”, observa ele, imaginando aproveitar alguma brecha na equipe, caso não venha a ser escalado de cara contra o Leão santareno. Se a titularidade não ocorrer, porém, não será por falta de condicionamento, conforme deixa claro o jogador. “Estou me sentindo muito bem, preparado”, avisa Alemão, que tem como concorrentes Perema, remanescente de 2018, Micael e Victor Oliveira, recém-contratados, além de Alan Santos, ex-base bicolor.

Adaptação não será problema

O jogador crê que Pará e Rio Grande do Sul tenham estilos parecidos e isso facilitará o desenvolvimento do seu futebol. (Foto: Ricardo Amanajás)

Caso exista algum jogador no elenco do Paysandu que esteja preocupado com os campos pesados que terá de enfrentar, este jogador não é o zagueiro Fábio Alemão. Embora afirme que as condições climáticas do Rio Grande do Sul, de onde veio, e do Pará sejam diferentes, o jogador garantiu ver semelhança entre as duas escolas do futebol. Questionado sobre o assunto, o defensor afirmou: “As características são parecidas, principalmente pela pegada e pelo estilo de jogo que é imposto pelas equipes, de muita marcação, de muita força, porém, lá no Rio Grande do Sul nessa época não chove tanto como aqui”, declarou.

lemão informou que não chegou a conversar com o conterrâneo Aylon, ex-Internacional-RS, clube de origem também do zagueiro, antes de vir para Belém. Mas ele não desembarcou na capital paraense, no ano passado, no “escuro”, pode-se dizer. “Não conversei com o Aylon, mas quando Deus abriu essa oportunidade, falei com o Mike que já estava aqui, e também o pessoal da direção do Internacional. Passaram-me referências muito boas aqui do Paysandu, tem uma grande estrutura e tem uma torcida maravilhosa, é um time que todo jogador gostaria de jogar”, contou o zagueiro.

Como só faz treinar desde o ano passado, o torcedor não sabe a maneira como o zagueiro se desdobra dentro de campo. Ele deu algumas dicas, que poderão se confirmar ou não durante o Estadual. “Minhas principais características são a força, imposição, boa saída de bola e principalmente muita garra. Procuro me preparar durante a semana toda da melhor maneira possível para chegar e dar o meu máximo no jogo. Procuro também cuidar no dia a dia no que posso ajudar aos companheiros para que juntos sempre tenhamos pensamentos bons e consequentemente estaremos sempre prontos para a vitória”, explicou.

(Nildo Lima/Diário do Pará)