O Remo tem nova chance de levantar um título referente a 2020. Decide a Copa Verde jogando contra o Brasiliense, hoje à tarde, no estádio Jornalista Edgar Proença. Como na decisão anterior, pela Série C, diante do Vila Nova, o time precisa reverter uma situação adversa. A diferença desta vez é que o placar a ser superado é, digamos, mais normal.

Na final da Série C, com o time desfalcado de metade dos titulares e sem banco de reservas à altura, o Remo foi goleado na ida e não conseguiu devolver o resultado na volta – perdeu por 3 a 2. A desigualdade resultante dos efeitos do surto de covid no elenco atrapalhou a luta azulina pelo título brasileiro, frustrando expectativas no clube.

Desta vez, a situação segue a exigir uma virada, mas o resultado a ser revertido é de apenas um gol – o Brasiliense ganhou por 2 a 1, domingo (21). Ao Leão cabe agora partir para um jogo de pressão e ofensividade para fazer dois gols de diferença ou vencer por um gol e provocar disputa em tiros livres da marca do pênalti.

A tarefa pode ser menos indigesta que a da Série C, mas implica em grandes dificuldades, pois o Brasiliense já se mostrou capaz de façanhas fora de casa, derrotando times até mais badalados, como Atlético-GO e Vila Nova dentro de seus domínios.

Dirigido por Vilson Tadei, reúne uma legião de veteranos, jogadores que sabem controlar bem uma partida e sustentar uma vantagem. Não há dúvida que o cascudo Brasiliense virá a Belém pronto a utilizar seu sistema reativo, com contra-ataques bem armados.

Ao Remo caberá manter a linha evolutiva das últimas partidas, com ênfase nos jogos contra o Manaus. Será preciso mostrar intensidade, força e concentração. O time terá que fazer gols, pelo menos dois, para garantir o título tão sonhado, mas não poderá descuidar do setor defensivo.

Aliás, a zaga é o compartimento mais questionado da equipe. O gol sofrido na reta final do primeiro jogo com o Brasiliense é sintoma desse desajuste. O escanteio no primeiro pau encontrou o atacante adversário livre e à vontade para cabecear, observado por quatro defensores azulinos.


Não é um problema exclusivo da dupla Rafael Jansen/Fredson, que teve lá seus momentos de instabilidade. Ocorre que os zagueiros dependem diretamente da cobertura dos volantes e do apoio dos laterais. Para um jogo que não permite vacilos, a arrumação defensiva deve ser tão eficiente quanto a organização ofensiva.

Quanto à linha de frente, o trio Hélio-Augusto-Wallace ganha confiança à medida que os jogos se repetem. O ápice foi contra o Manaus, explorando bem as brechas permitidas e a lentidão dos zagueiros. O Brasiliense não sairá tanto quanto o time baré, mas sua defesa também oscila muito.

Com Felipe Gedoz mais avançado, o Remo terá mais chances de alcançar seu objetivo se aliar rapidez e capacidade de definição. Não é uma tarefa fácil, mas é plenamente possível.

 

 

Heyder: craque da bola, cidadão de fino trato

 

“Heyder, teu nome é luz. Vai, irmão, leva teu brilho ao firmamento. Descansa em paz ao lado de Deus”. A frase, encharcada de emoção, é de Valdo Souza, um grande amigo do ponta-direita rápido e driblador, apelidado de Flecha Azul pela torcida do Cruzeiro.

Heyder nos deixou ontem, aos 61 anos, vítima da nefasta covid, que alguns ainda insistem em negligenciar e ignorar. Valdão conviveu com ele ao longo de toda a carreira e o conhecia bem. “Preparava um pão de alho no churrasco como ninguém. E levava com ele sempre um pandeiro e uma tuba. Animava mesmo”, conta, saudoso.

Guilherme Guerreiro, que viu Heyder explodir no Papão e depois conquistar o Brasil, descreve uma faceta que nem todos conheciam. “Homem de sorriso aberto e fino trato. Uma carreira rica, jogando sempre em clubes de massa. Um craque em simplicidade e humildade”.

E relembra a participação especial de Heyder na Rádio Clube por ocasião do Mundial de Clubes 2019: “Na final entre Flamengo x Liverpool resenhou durante três horas conosco sobre o futebol dentro e fora de campo. Muito conhecimento e simpatia. Que Deus o receba na sua glória”.

Cita também o trabalho que Heyder, junto com Zaire Filho, fez junto à criançada da Assembleia Paraense na Copa Fraldinha & Chupetinha.

Outra recordação carinhosa vem de Paulo Fernando: “Assim que vou lembrar deste craque de bola. Era garoto e todo domingo ele marcava presença nos gols do Fantástico”.

Para reverenciar o ponta, Cláudio Guimarães foi buscar na memória um jogo de 1988, entre Inter e Bahia pela decisão do Brasileiro, no Beira Rio. “Heyder marcado por outro paraense, o Paulo Robson. Era tanta rádio que transmiti esse jogo da beira do gramado com mais 28 outros locutores. Bahia foi campeão no 0 x 0, pois havia vencido de 2 x 1 em Salvador”.

Citei os companheiros de Rádio Clube pela reação emocionada de todos diante da precoce partida de um futebolista do nível de Heyder, cuja educação e fineza eram qualidades que o distinguiam.

Vi Heyder jogar (bem) pelo PSC e acompanhei à distância sua bela carreira nacional. Pessoalmente, estive com ele em duas ocasiões, na TV Cultura e na própria Clube. Conversamos pouco, mas o suficiente para perceber a humildade que se misturava à timidez. Grande sujeito, simples e bom, por isso tão querido.

 

 

A sentença eterna

 

“Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.

Nelson Rodrigues, sempre certeiro